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Em que vos escrevo da pré-ressaca do aniversário
Inicio hoje o meu quadragésimo sétimo ano nesta terra. Porra, dito assim é uma coisa bem assustadora mas não deixa de ser verdade! Não tenho a certeza mas acho que sempre gostei de fazer anos: como sou uma pessoa idosa, ainda me lembro com carinho daquela época em que fazíamos concursos para ver quem era o primeiro a dar os parabéns logo a seguir à meia noite e eu levava isso muito a sério!
Este último ano foi muito duro para mim, psicologicamente falando. Chorei mais do que gostaria, às vezes pelo anúncio mais absurdo, outras pelo estado insano deste mundo; chorei por pessoas que nunca vou conhecer pessoalmente mas que acredito terem todo o direito à dignidade e, acima de tudo, à felicidade. Deixei-me levar pelo estado caótico, negro, insensível deste mundo. Radicalizei-me em maneiras que não achava possível, eu que sempre fui uma filha de um certo centrão e ainda luto para saber o que fazer com esses sentimentos. Sinto que preciso de fazer o Bem e não sei exactamente como.
Ontem, pouco depois das cinco da tarde, terminei a minha licenciatura com a minha prova pública de final de curso, que me correu tudo menos como eu esperava. Correu mal, vá. Mas dei por encerrados os últimos três anos da minha vida, a aprender coisas que me fizeram (surpresa!) chorar, rir, compreender melhor o meu trabalho e o meu sítio no mundo profissional. Não foi o fim tal como eu o desejei mas encerrei finalmente essa porta. A porta do mestrado já estava aberta há dois meses…
Uma pergunta que faço a mim mesmo várias vezes é: quando é que nos passamos a sentir como pessoas adultas? Porque eu já estou a tombar para os 50 e ainda não me vejo como uma pessoa madura. Sure, todos temos responsabilidades e alguns de nós têm filhos mas eu não consigo parar de pensar em mim mesma como se estivesse ainda nos princípio dos 20.
Não tenho absolutamente nada a reportar nesta rubrica! Não é incrível? Já passaram dois anos da minha cirurgia e em breve passarão dois anos das sessões de radioterapia e eu continuo o caminho, sempre em frente! Não sei se vai ser sempre assim mas agora é e eu sinto-me bem.
O que é que sucede em termos de música? Sucede que a minha filha, que tem dez anos, pede para ouvir esta música e eu digo-lhe que isto me dá vontade de chorar e ela responde que a ela também. Não quero particularmente criar chorões (embora as vezes que ele vêem a mãe a chorar lhe possam dar a ideia errada…) mas saber que esta música lhe dá vontade de chorar é, em si mesmo, um motivo de alegria daquela que vem com lágrimas adicionais 🥲






Parabéns e parabéns! Felicidades para o novo ano, beijinhos :)